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While {DIGITAL.EDU} include {HUMANITIES}:
humanidades digitas como resistência à monetização do conhecimento

Cícero Inacio da Silva

Universidade Federal de São Paulo

[Resumo – Abstract]

Cicero Inacio da Silva é pesquisador e professor na área de mídia, educação e cultura digital, coordenador adjunto da Universidade Aberta do Brasil (UAB) e membro do Comitê Gestor Institucional na Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP). Coordena o Laboratório de Estudos do Software e o  Walkingtools Lab em parceria com a Universidade da Califórnia, San Diego (UCSD). Foi curador de Arte Digital do Fórum da Cultura Digital Brasileira (Ministério da Cultura/RNP (Cultura Digital Brasileira), menção honrosa na área de Comunidades Digitais do Prêmio Ars Electronica em 2010. Foi pesquisador do Grupo de Trabalho de Aplicações Avançadas de Visualização da Rede Nacional de Ensino e Pesquisa (RNP) e professor convidado na Universidade da Califórnia em San Diego (UCSD) entre 2006 e 2010. Web: Cícero Silva Cicero Inacio da Silva is a researcher and adjunct professor in the field of digital culture, education and media. Adjunct coordinator of Brazil’s Open University (UAB) and member of the Governance Committee of the Federal University of São Paulo (UNIFESP). Cicero Coordinates the Software Studies group in Brazil  and the Walkingtools Lab , both in partnership with the University of California, San Diego (UCSD). He was Digital Art curator for the Digital Culture Brazilian Forum (Ministry of Culture/RNP (Cultura Digital Brasileira), honorary mention in the Digital Communities field at the Ars Electronica Prize in 2010. He was a researcher on the Working Group of Advanced Visualization Applications for the National Education and Research Network (RNP) and a visiting professor at UCSD from 2006 to 2010. Web: Cícero Silva

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Resumo

Em declaração recente à revista New Yorker, o presidente da Universidade Stanford, John Hennessy, fez a seguinte afirmação: “The publishing industry has suffered in recent years… because reading on screens is more convenient. Why wait in line at a store when there’s Amazon? Why pay for a travel agent when there’s Expedia? The same argument can be applied to online education. An online syllabus could reach many more students, and reduce tuition charges and eliminate room and board. Students in an online university could take any course whenever they wanted, and wouldn’t have to waste time bicycling to class….Stanford, like newspapers and music companies and much of traditional media a little more than a decade ago, is sailing in seemingly placid waters…but ‘There’s a tsunami coming’.” (John Hennessy, reitor de Stanford, em entrevista ao jornalista Ken Auletta para a revista New Yorker). Depois do Tsunami que ainda abala as economias do globo, é curioso que as grandes universidades tenham formado grandes consórcios globais e iniciado a oferta de cursos em parceria com conglomerados financeiros ligados às indústrias do Vale do Silício norte-americano. Esses grupos educacionais formados por Harvard + MIT + Stanford, entre outras, estão cada vez mais tornando o conhecimento massivo e acessível a quem possui um aparelho que se conecte à Internet. A princípio esse modelo de negócio tem sido louvado por inúmeros pensadores ligados ao campo da educação, pois há no fundo um discurso ligado à “democratização” do acesso. Contudo, é interessante observar que o conteúdo gerado nessas classes massivas on-line é também monetizado pelas corporações que operam esses sistemas de ensino, formando uma espécie de repositório global de ideias e auxiliando na expansão de suas bases de conhecimento digitais. Como efeito imediato, o número de patentes depositadas por essas empresas tem se expandido de maneira exponencial, fazendo com que sejam responsáveis por praticamente metade das patentes globais. Ao mesmo tempo parece curioso que nessa volúpia de “monetizar” o conhecimento alheio, ligado fortemente às áreas da engenharia e computação, um dos cursos mais acessados em um plataforma de ensino à distância seja uma aula sobre Literatura Grega Clássica, ministrada on-line por Gregory Nagy,professor de Harvard. Fenômenos como esses de tentar massificar o conhecimento ao mesmo tempo em que se produzem lucros exorbitantes sob a ótica do acesso criam efeitos não esperados, como pode ser interpretada a “fama” inesperada de um curso ligado às áreas das Humanidades. Ao mesmo tempo no Brasil existem iniciativas que buscam, por meio das ferramentas on-line, não monetizar, mas “democratizar” a formação dos professores da rede básica de educação, como é o projeto da Universidade Aberta do Brasil, financiada com recursos públicos. De que maneira podemos criar mecanismos que “equilibrem” a balança entre a democratização “que amplia os lucros” e a “que amplia o acesso” ao conhecimento? A hipótese dessa fala é a de que talvez as humanidades digitais sejam um contraponto necessário à essa invasão da filosofia do Vale do Silício na formação educacional.

/Abstract/ In a recent interview to the New Yorker magazine, the president of Stanford University, John Hennessy, made the following comments: “The publishing industry has suffered in recent years… because reading on screens is more convenient. Why wait in line at a store when there’s Amazon? Why pay for a travel agent when there’s Expedia? The same argument can be applied to online education. An online syllabus could reach many more students, and reduce tuition charges and eliminate room and board. Students in an online university could take any course whenever they wanted, and wouldn’t have to waste time bicycling to class….Stanford, like newspapers and music companies and much of traditional media a little more than a decade ago, is sailing in seemingly placid waters…but ‘There’s a tsunami coming’.” (John Hennessy, president of Stanford University, in an interview for journalist Ken Auletta to the New Yorker magazine). After the Tsunami that still shakes the economies of the globe, it is curious that major universities have formed large global consortia and started offering courses in partnership with financial conglomerates related to the Silicon Valley digital industries. These educational groups formed by Harvard + MIT + Stanford, among others, are increasingly becoming massive and knowledge accessible to those who own a device that connects to the Internet. Initially this business model has been cheered up by several thinkers connected to the field of education, because it looks that there is in the background an intention of “democratization” of access to information. However, it is interesting to note that the content in these massive online classes is also monetized by corporations that operate these educational systems, forming a kind of global repository of ideas and assisting in expanding their digital knowledge bases. As an immediate effect, the number of patents filed by these companies has expanded exponentially, making them responsible for nearly half of global patents. At the same time it seems curious that in the middle of this lust to “monetize” the knowledge of others, strongly linked to areas of engineering and computing, one of the most packed classes in a distance learning platform is a course in Classical Greek Literature , taught online by Gregory Nagy, a Harvard professor. Such a phenomena, as trying to spread the knowledge at the same time that they produce exorbitant profits from the perspective of access, produce unintended effects, as the “success” of a course on unexpected areas of the humanities . At the same time, in Brazil there are initiatives that seek, through online tools, not monetize, but “democratize” the formation of teachers for the basic education, as is the project of Brazil´s Open University, financed with public funds. How can we create mechanisms to ” mull” the balance between democratization “that magnifies profits” and “that expand access” to knowledge? The hypotheses of this speech is that perhaps digital humanities are a necessary counterpoint to this invasion of Silicon Valley philosophy in the educational field.

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