Dos textos à análise espacial: representações literárias, SIG e História Urbana

Daniel Alves

Universidade Nova de Lisboa

[Resumo]


Daniel Alves é Professor Auxiliar no Departamento de História da FCSH, Universidade Nova de Lisboa, e investigador no Instituto de História Contemporânea (IHC). Tem um doutoramento em História Económica e Social Contemporânea (2010) e um mestrado em História do Século XIX (2001). Desde Novembro de 2011 é membro integrado do Grupo de Trabalho 1 (Espaço e Tempo) da Network for Digital Methods in the Arts and Humanities (NeDiMAH), financiada pela ESF e dedicada ao desenvolvimento de abordagens digitais para a representação e análise das dimensões espaciais e temporais. As suas áreas de interesse são a História Contemporânea, a História Económica e Social, a História Urbana, a História das Revoluções e as Humanidades Digitais. Entre outras publicações, tem alguns artigos publicados em revistas científicas nacionais e estrangeiras, sobretudo sobre História Económica e Social e SIG aplicado à História. / Daniel Alves is an Assistant Professor in the Department of History at FCSH, Universidade Nova de Lisboa, and Researcher in the Instituto de História Contemporânea (IHC). He has a PhD in Economic and Social Contemporary History, and a MA in 19th Century History. He is a Member of the Core Committee of the Working Group 1 (Space and Time) at the Network for Digital Methods in the Arts and Humanities (NeDiMAH), since December 2011 (network funded by ESF), an initiative dedicated to the development of digital approaches to representing and analysing spatial and temporal dimensions. His areas of interest are Modern and Contemporary History, Economic and Social History, Urban History, History of the Revolutions and Digital Humanities. Among others, he published a few papers in Portuguese and International peer reviewed journals, mainly about Economic and Social History, and Historical GIS.

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Abstract

Desde a década de 90, vários historiadores têm prometido uma “revolução” no ofício do historiador, com base na interligação estabelecida entre métodos digitais e História[2]. Apesar de todo o entusiasmo e as expectativas recorrentes de cada vez que fica disponível uma nova ferramenta digital, é seguro dizer que a História e os historiadores não embarcaram ainda numa suposta revolução epistemológica. Mas isto não é o mesmo que sugerir que tudo permanece inalterado e que os historiadores estão imunes a estas mudanças. Um exemplo particular, que será explorado aqui, contempla bases de dados relacionais e sistemas de informação geográfica, ferramentas ainda há duas décadas atrás consideradas como revolucionárias quando aplicadas a História, mas que hoje estão estabelecidas como instrumentos de trabalho comuns para muitos historiadores, embora frequentemente utilizadas de forma indirecta e principalmente com dados quantitativos.
A tendência actual é claramente para tentar encontrar sistemas ou metodologias que permitam uma melhor integração com o aspecto narrativo da história, e que possam fazer um uso mais eficiente de grandes corpus de textos que permanecem como as fontes fundamentais na História, e em muitas das disciplinas das Humanidades [3]. Ao mesmo tempo, essa atenção às fontes textuais por parte do Digital é o resultado de grandes esforços de digitalização, bem como da democratização da Web, que têm colocado cada vez mais textos à disposição das capacidades das bases de dados e dos SIG para extrair e analisar todos os dados neles contidos, permitindo aos historiadores colocar novas questões às fontes ou resolver questões antigas de uma forma nova e, talvez, mais significativa [4].
Habituado normalmente a lidar com grandes quantidades de textos e nem sempre abençoado com tempo para ler todas as fontes que gostaria, o historiador pode agora aproveitar diferentes tipos de abordagens a todos estes dados. Passos nesse sentido já foram dados, talvez de uma forma mais profunda, noutros campos disciplinares, como a Literatura ou a Geografia, e é possível mencionar aqui, por exemplo, a abordagem do tipo “distant reading” proposta por Franco Moretti [5], ou mais recentemente as que tentam juntar a Linguística e a Geografia [6], ou mesmo a Literatura, a Geografia e a História .
Com base nesta última abordagem, irei discutir brevemente as implicações e vantagens da utilização de ferramentas digitais baseadas em lógica binária, e frequentemente concebidas para lidar com dados estruturados e precisos, para exploração de fontes textuais, tais como romances literários e outros tipos de textos utilizados na investigação histórica. Num segundo momento, irei apresentar alguns resultados de uma abordagem metodológica baseada num equilíbrio entre o que poderíamos chamar de “close” e “distant reading” das fontes, aplicada à história urbana de Lisboa na passagem do século XIX para o século XX, utilizando textos literários, dados históricos quantitativos e qualitativos, e aproveitando todo o potencial das bases de dados relacionais e dos SIG.


[1]IHC, FCSH, Universidade NOVA de Lisboa; CV online; Email: alves.r.daniel@gmail.com

[2]Edward L. Ayers, “The Pasts and Futures of Digital History”, 1999, accessed 5 February 2011, at http://www.vcdh.virginia.edu/PastsFutures.html; Dan Cohen and Roy Rosenzweig, Digital history: a guide to gathering, preserving, and presenting the past on the Web, Philadelphia, University of Pennsylvania Press, 2005.

[3] John Bradley, “Texts into Databases: The Evolving Field of New-style Prosopography”, Literary and Linguistic Computing, vol. 20, 1 January 2005; David J. Bodenhamer et al. (eds.), The spatial humanities: GIS and the future of humanities scholarship, Bloomington, Indiana University Press, 2010.

[4] A importância da informação textual nas interligações entre a História e o Digital, foi uma das características destacadas por praticamente todos os participantes de um recente seminário sobre métodos e ferramentas digitais aplicadas à investigação histórica que organizámos em Lisboa, e cujos resultados serão disponibilizados no início de 2014 através uma edição especial da revista “International Journal of Humanities and Arts Computing”.

[5] Franco Moretti, Graphs, Maps, Trees: Abstract Models for Literary History, London, Verso Books, 2005.

[6] Ian N. Gregory and Andrew Hardie, “Visual GISting: bringing together corpus linguistics and Geographical Information Systems”, Literary and Linguistic Computing, vol. 26, Maio 2011.

[7] Daniel Alves and Ana Isabel Queiroz, “A new approach to study urban space and literary representation using GIS: Lisbon, Portugal, 1852-2009”, Social Science History, vol. 37, n. 4, 2013 (to be published).

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